A Depressão entre os Comediantes


Você sabia que a depressão entre os comediantes é algo bastante comum?

Pois é. Muitas pessoas têm a ilusão de que ter muito dinheiro, ou fama, ou ainda um enorme talento em alguma área (ou ter as três coisas juntas) seja sinônimo de levar uma vida fácil, tranquila, feliz e sem nenhum tipo de preocupação.

Ledo engano…


Em 11/08/2014, um dos maiores comediantes de todos os tempos, tirava a própria vida.

Robin Williams tinha fortuna, era conhecido no mundo inteiro, tinha um talento incrível, venceu por cinco vezes o prêmio Globo de Ouro, duas vezes o Emmy e seis vezes o Grammy, por seus discos de stand-up, foi por quatro vezes indicado ao Oscar, sendo que foi vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 1998, por “Gênio Indomável”, era casado e tinha três filhos.

No entanto, nada disso impediu que o mestre da comédia se enforcasse, aos 63 anos, com um cinto.

Robin Williams tinha 5 fatores de risco (ou predisposição) para o suicídio: depressão, alcoolismo, Parkinson, uso de drogas e a Demência de Corpos de Lewy.

Lutou contra o alcoolismo durante sua vida, porém sua autópsia não mostrou no sangue nenhum vestígio de drogas ou outras substâncias das quais utilizava.

Foi encontrado em seu cérebro amostras de uma possível forma de demência, um dos fatores que o levaram a tirar a vida.

Robin Williams em cena do filme "Patch Adams - O Amor é Contagioso" (1998)
Robin Williams em cena do filme “Patch Adams – O Amor é Contagioso” (1998)

Chamada de Demência de Corpos de Lewy, é uma doença neurodegenerativa que afeta a memória e as habilidades motoras.

Mas Williams também vinha sofrendo de depressão severa.
A palavra depressão vem do latim depremere, cujo significado é “puxar para baixo”.

“O que vi naquele dia foi um homem assustado.”, conta Billy Crystal, sobre uma das últimas vezes em que esteve com seu amigo e colega de profissão.

Robin Williams é conhecido por seus papéis em filmes como “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989), “Uma Babá Quase Perfeita” (1993), “Jumanji” (1995), “Patch Adams – O Amor é Contagioso” (1998) e vários outros.

O filme “What Dreams May Come”, (no Brasil “Amor Além da Vida”), de 1998, traz uma triste coincidência:

Os filhos do casal Nielsen morrem em um acidente.
Quatro anos depois, Chris Nielsen (interpretado por Robin Williams), também morre em um acidente e vai para o Paraíso. Sua esposa, Annie Nielsen (interpretada por Annabella Sciorra), desesperada pelo sofrimento, comete suicídio.

No filme, Williams tem a missão de resgatar a esposa e levá-la para o Paraíso.

É curioso pensar que pessoas que nos fazem rir, possam de algum modo sentir uma tristeza tão grande.
Mas o caso de Robert Williams não é isolado.

Foi provado através de um estudo que a depressão entre os comediantes é algo mais comum do que imaginamos.

Entre 20 e 25 % da população mundial sofre de depressão, mas entre os comediantes e artistas, a porcentagem é muito maior.

A Universidade Oxford realizou um estudo com 523 comediantes.
Chegaram a conclusão que eles são mais depressivos, e têm mais possibilidade de desenvolverem quadros psicóticos do que a média da população.

50% tem tendência à depressão e à bipolaridade.

O estudo demonstrou também que apesar de parecerem extrovertidos, na vida pessoal há uma possibilidade maior a serem retraídos.

Um outro exemplo disso vem do ator e comediante inglês Stephen Fry, que sofria de transtorno bipolar e revelou que em 2012 tentou se matar.

No Brasil temos o exemplo de Chico Anysio, que também revelou que sofria de depressão.

E um outro caso mais trágico do Brasil: o do humorista Fausto Fanti, fundador do grupo Hermes e Renato, que também tirou a própria vida, em 2014, 12 dias antes de Robin Williams fazer a mesma coisa.

A forma? A mesma de Williams: enforcou-se com um cinto.
Tinha apenas 35 anos.

Esses casos nos fazem lembrar da história do palhaço triste: um homem sentia um enorme vazio interior e então vai até um psiquiatra, e o médico após examiná-lo, concluiu que ele não tinha uma doença séria, era “apenas” tristeza e angústia. Ao final da consulta recomendou ao paciente que fosse até o circo da cidade, pois lá havia um palhaço extremamente engraçado e que com certeza poderia fazer-lhe muito bem. O paciente então respondeu que ele era aquele palhaço.

Diferente do médico da ficção, não podemos nunca concluir ou julgar que esse tipo de sofrimento não é uma “doença séria”.

Como nos ensina sabiamente Divaldo Franco, não devemos nos permitir cair no fosso da depressão, pois diariamente nasce o sol e a vida começa novamente.

Ele nos diz que, para aqueles que já se encontram em depressão, é necessário que se tente sair dessa situação procurando um psicoterapeuta hoje, uma conversa com um amigo agora, e principalmente buscando Jesus, pois ele é o psicoterapeuta por excelência da humanidade.

Que Jesus possa consolar com sua infinita misericórdia todas as almas e espíritos desses irmãos angustiados e desesperados.