A Estação Ferroviária de Auschwitz


A Estação Ferroviária de Auschwitz envolve inúmeras histórias de horror e  brutalidade que jamais devem ser esquecidas para que o mal não volte a se repetir.

Viktor Frankl conheceu bem de perto algumas das brutalidades que o ser humano pode vir a cometer.

No caminho a Auschwitz, junto de sua família, naquele trem lotado, passaram por um terrível choque psicológico.


Imagine o cenário: um trem com 1500 pessoas, seguindo viagem há alguns dias e noites.
Em cada vagão, 80 pessoas em cima de suas próprias bagagens: seus últimos pertences.

A bagagem empilhada praticamente impedia toda visão externa.

Sem saber com certeza onde estavam e para onde seriam levados, os transportados acreditavam que seriam levados para uma fábrica de armamento, onde seriam forçados a trabalhar.

Essa possibilidade seria um destino “suave” se comparado ao inferno para onde estavam sendo levados.
Mas eles não tinham ideia.

Viktor Frankl conta que o apito estridente do trem causava arrepios e ecoava como um grito de socorro.

De repente o trem começa a manobrar frente a uma grande estação e de dentro do vagão alguém grita: “Auschwitz!”.
Era a temida Estação Ferroviária de Auschwitz.

Antes estivessem mesmo indo trabalhar forçadamente em uma fábrica de armamento.
Com exceção das crianças, todos ali sabiam o que significava aquela palavra “Auschwitz!”.

Ficaram apavorados. Imagens horríveis de câmaras de gás e execuções em massa surgiam em suas mentes.

O trem avançava lentamente e agora já conseguiam observar o gigantesco campo de concentração, com suas construções à esquerda e à direita dos trilhos.

Observavam as cercas de arame farpado, as torres de vigia e refletores. Se alguém ainda tinha o plano de fugir, depois de visualizar essas imagens, a intenção se apagava por completo. Era praticamente impossível.

O desespero aumentava a medida que enxergavam a grande massa de prisioneiros, aos farrapos, caminhando exaustos.

Prisioneiros no campo de concentração
Prisioneiros no campo de concentração

Viktor Frankl sentia que o horror havia tomado conta de sua mente e corpo.
Enfim, chegaram à estação de desembarque.

Se no transporte até Auschwitz, eles haviam passado por um terrível choque psicológico, agora eles iriam enfrentar um choque ainda pior: o da recepção.

Começaram a ouvir brados de comando, que como não poderia deixar de ser, eram bem rudes.
A partir dali ouviriam sempre esses gritos.

As portas do vagão são abertas e então ele é invadido por um bando de prisioneiros, de cabeça raspada. Estavam bem humorados e visivelmente, pareciam muito bem alimentados.

Viktor Frankl se apegou a essa imagem e teve a falsa ilusão de que a situação não deveria ser tão ruim assim.
Pensou que talvez pudesse chegar também a uma situação relativamente boa, como a desses prisioneiros.

O que ele ainda não sabia, até aquele momento, era que aqueles prisioneiros eram na verdade uma “elite”, um grupo escolhido para tomar conta da bagagem das pessoas que chegavam em Auschwitz. Na verdade eles se apropriavam dos pertences daqueles infelizes.

Por conta dessas apropriações, a quantidade de ouro, prata e brilhantes encontrada em Auschwitz, era absurda.

Viktor Frankl conta que certa vez estavam 1100 prisioneiros em um barracão com capacidade para 200.
Ficavam sentados ou em pé, com fome e frio.

Não era possível que se deitassem. Por quatro dias se alimentaram apenas de uma única lasca de pão.
Viktor então presenciou uma negociação entre o encarregado do barracão e um prisioneiro do grupo de “elite”.

O objeto em negociação era um prendedor de gravata com brilhantes que acabou sendo trocado por aguardente.

Segundo Viktor Frankl, não era nem possível censurar uma pessoa que se embriaga estando naquela situação.
Esses prisioneiros, mesmo os da “elite” precisavam daquela bebida.

Principalmente aqueles prisioneiros que trabalham em câmaras de gás e crematório, pois sabiam que em um futuro breve as vítimas seriam eles próprios.

Voltando ao vagão, na Estação Ferroviária de Auschwitz, naquele momento os transportados nem imaginavam que ficariam sem os seus últimos pertences.

E, por mais que soubesse que não estavam ali por um bom motivo, não conseguiriam imaginar com que crueldade e brutalidade seriam tratados a partir daquele momento.

Se você não conhece a história de Viktor Frankl, faça um favor a você mesmo e pesquise sobre ele.
Com toda certeza, sua história de vida te ensinará muita coisa.

Referência: Em Busca de Sentido – Um Psicólogo no Campo de Concentração
Viktor Frankl – 1946