André Luiz Tirou a Própria Vida?


Será que André Luiz Tirou a Própria Vida? Conheceremos neste artigo o conceito de “suicídio inconsciente”.

Após ter passado 8 anos no Umbral até ser resgatado por Clarêncio e ser levado a “Nosso Lar“, André Luiz recebeu os primeiros cuidados e teve a oportunidade de participar da primeira oração coletiva em sua nova morada.

Apesar de não totalmente recuperado, sentia-se muito bem, mas com uma enorme saudade do lar e da família terrestre.


Recebe então, no Hospital de “Nosso Lar“, a visita de Clarêncio e de um médico muito simpático, chamado Henrique de Luna, do Serviço de Assistência Médica da colônia espiritual.

O médico então lamenta que André Luiz “tenha vindo pelo suicídio”, o qual fica totalmente surpreso pela afirmação e se sente intimamente revoltado.

Cena do Filme “Nosso Lar”: André Luiz conversando sobre o suicídio inconsciente
Cena do Filme “Nosso Lar”: André Luiz conversando sobre o suicídio inconsciente

Nesse momento, André Luiz recorda as acusações das entidades perversas no Umbral, que o chamavam a todo momento de “suicida”.

Resolve então contestar, alegando que talvez tenha ocorrido algum engano, e que seu regresso do mundo não teve essa causa.
Explica que lutou mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando sobreviver e que sofreu duas cirurgias graves, devido a oclusão intestinal.

Então, serenamente, Henrique de Luna começa uma longa e valiosa explicação, informando que a oclusão tinha origem em causas profundas.
Ensina que o organismo espiritual apresenta, em si próprio, a história completa das ações praticadas no mundo.

Analisando a zona intestinal, ainda sobre a oclusão, afirmou que ela derivava de elementos cancerosos, e que estes, por sua vez, de algumas leviandades, no campo da sífilis.

Se o procedimento mental de André Luiz, enquanto encarnado, estivesse dentro dos princípios de fraternidade e temperança, a doença talvez não tivesse sido tão grave.

Explicou que sua atitude exasperada, seu descuido no trato com os semelhantes, as ofensas proferidas, conduziam-no, cada vez mais, à esfera dos seres inferiores e doentes.

André Luiz ouvia com espanto, que seu fígado havia sido maltratado pela sua própria ação. Ouvia que seus rins haviam sido esquecidos, com terrível menosprezo às dádivas sagradas.

Henrique de Luna entra então em um campo que, talvez, André Luiz nunca tenha refletido em vida: a enorme importância da vocação – no seu caso, a medicina, e, principalmente, aquilo que fizemos com o que nos foi confiado.

Ficamos sabendo que a longa e sublime tarefa que foi confiada a André Luiz, pelos Maiores da Espiritualidade Superior, foi reduzida a meras tentativas de trabalho que não se consumou.

Deixa claro o comportamento desregrado que havia se tornado um hábito em sua vida, referindo-se aos excessos de alimentação e de bebidas alcoólicas, o que acabou ocasionando a destruição de todo o aparelho gástrico.
E, por fim, as energias essenciais haviam sido devoradas pela sífilis.

E, como um jogador de xadrez que deixa o oponente sem saída, aplica-lhe o xeque-mate:
“Como vê, o suicídio é incontestável.”

André Luiz então, totalmente aturdido, começa a refletir e relembrar sua vida na Terra, principalmente com relação às oportunidades perdidas.
Ele nunca chegou a imaginar que, ao desencarnar, seriam pedidas contas de episódios que, até então, ele considerava simples.

Acreditava que os erros humanos eram apenas aqueles que as leis terrestres consideravam como crimes.
Não poderia supor que existissem leis mais profundas, justas e superiores às leis humanas.

Sentia-se completamente derrotado e envergonhado, principalmente ao observar que o apontamento das faltas cometidas não se originavam de tribunais de tortura, muito menos de abismos infernais. Mas que, eram benfeitores sorridentes que comentavam suas fraquezas, com o máximo de respeito possível, como quem cuida de uma criança desorientada.

Sentia-se, por isso, ferido em sua vaidade de homem. Vaidade essa que ainda não havia conseguido abandonar.

Chegou até a pensar que, talvez, se visitado por figuras demoníacas a lhe torturarem, encontrasse forças para reagir, para tornar a derrota menos amarga.
Mas, com a imensa bondade de Clarêncio e a ternura do médico, de modo algum pensava em reagir. Doía-lhe, fortemente, a vergonha.

E, como uma criança desorientada, André Luiz chorou. Soluçava com a dor que lhe parecia irremediável.

Não tinha como discordar frente aos fatos apresentados. E reconheceu então a extensão e gravidade de suas faltas de outros tempos.

Se defrontava agora com uma realidade nova e torturante: era verdadeiramente um suicida.

O generoso Clarêncio, percebendo o imenso sofrimento de André Luiz,  afaga-lhe os cabelos, tal qual um pai que cuida de seu filho e diz, comovido, para não se lastimar tanto.

Relembra que, ele próprio, resgatou-o atendendo à intercessão dos que o amavam, dos planos mais altos, e que suas lágrimas agora feriam seus corações.

E Clarêncio explica que a posição de André Luiz é, na verdade, a de um “suicida inconsciente”.

Ele não tinha a intenção de se matar, mas sabia que os frequentes abusos cometidos enquanto encarnado, faziam muito mal.

Muitas criaturas se ausentam diariamente da Terra, nas mesmas condições, segundo Clarêncio.

Pede-lhe para que seja grato, e para que se mantenha calmo e tranquilo no exame das próprias faltas.

E, para aproveitar os tesouros do arrependimento, guardar a bênção do (tardio) remorso, confiar no Senhor e na dedicação fraternal dos Amigos Espirituais.

Clarêncio finaliza o belo ensinamento dizendo para André Luiz sossegar a alma perturbada, pois muitos já perambularam igualmente nos mesmos caminhos, e para nunca esquecer que a aflição não resolve problema algum.

Ante a generosidade que transbordava dessas palavras, André Luiz mergulhou a cabeça no colo paternal de Clarêncio e chorou longamente.

Para ler sobre os 8 anos que André Luiz passou no Umbral, clique aqui.

One thought on “André Luiz Tirou a Própria Vida?

  • 19 de maio de 2021 em 13:03
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    Emocionante esclarecedor.pode me enviar o livro o nosso Lar PDF

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