Como evitar a Obsessão – Segundo Kardec


Neste texto, entenderemos como evitar a obsessão, segundo Allan Kardec.

A obsessão é a influência e, em alguns casos, o domínio, que Espíritos inferiores exercem sobre certas pessoas.
A obsessão pode acontecer desde uma simples influência moral, sem apresentar sinais exteriores visíveis, até a uma completa perturbação do organismo e das faculdades mentais.

Causas da Obsessão e Meios de Combate

Antes de esperar dominar os maus Espíritos, é preciso dominar-se a si mesmo.
Certas pessoas preferem, sem dúvida, uma receita mais fácil para afastar os maus Espíritos: algumas palavras a dizer ou alguns sinais a fazer, por exemplo, o que seria mais cômodo do que se corrigir de seus defeitos.


Lamentamos, mas não conhecemos nenhum outro procedimento mais eficaz para vencer um inimigo do que ser mais forte do que ele. Quando se está doente, é preciso se resignar a tomar um remédio, por mais amargo que ele seja; mas também, quando se teve a coragem de o tomar, como a gente se sente bem, e como se fica forte!

É preciso, pois, se persuadir de que não há, para alcançar esse objetivo, nem palavras sacramentais, nem fórmulas, nem talismãs, nem quaisquer sinais materiais.

Os maus Espíritos disso se riem e, às vezes, gostam de indicar alguns, que dizem infalíveis, para melhor captar a confiança daqueles de quem abusam, porque, então, estes confiantes na virtude do processo, entregam-se sem medo.

Antes de esperar dominar os maus Espíritos, é preciso dominar-se a si mesmo. De todos os meios de adquirir a força para a isso chegar, o mais eficaz é a vontade secundada pela prece, entendida a prece de coração, e não aquelas nas quais a boca participa mais que o pensamento.

É preciso pedir a seu anjo guardião e aos bons Espíritos que nos assistam na luta; mas não basta lhes pedir para expulsarem os maus Espíritos, é preciso se lembrar desta máxima: Ajuda-te, e o céu te ajudará, e pedir-lhes sobretudo a força que nos falta para vencer essas más inclinações, que são para nós pior que os maus Espíritos, porque são essas inclinações que os atraem, como a podridão atrai as aves de rapina.

Palavras de Kardec sobre a Obsessão

Orando também pelo Espírito obsessor, pagamos com o bem pelo mal, mostrando-nos melhor que ele, o que já é uma superioridade. Com a perseverança, acaba-se, na maioria dos casos, por levá-lo a melhores sentimentos, transformando o obsessor em reconhecido.

Em resumo, a prece fervorosa e os esforços sérios para se melhorar, são os únicos meios de afastar os maus Espíritos, que reconhecem como senhores aqueles que praticam o bem, ao passo que as fórmulas os fazem rir; a cólera e a impaciência os excitam.

É preciso cansá-los mostrando-se mais pacientes.

Quando a intervenção de um terceiro se torna necessária

Mas ocorre, algumas vezes, que a subjugação chega ao ponto de paralisar a vontade do obsedado, e que deste não se pode esperar nenhum concurso valioso.

É então, sobretudo, que a intervenção de um terceiro se torna necessária, seja pela prece, seja pela ação magnética; mas o poder dessa intervenção depende também do ascendente moral que o interventor possa ter sobre os Espíritos; porque, se não valer mais, sua ação é estéril.

A ação magnética, nesse caso, tem por efeito penetrar o fluido do obsedado de um fluido melhor, e desprender o fluido do Espírito mau; ao operar, deve o magnetizador ter o duplo objetivo de opor uma força moral a outra força moral e produzir sobre o paciente uma espécie de reação química, para nos servir de uma comparação material, expulsando um fluido por um outro fluido.

Assim, não só opera um desprendimento salutar, mas dá força aos órgãos enfraquecidos por uma longa e, por vezes, vigorosa dominação.

Aliás, compreende-se que o poder da ação fluídica não só está na razão da força da vontade, mas sobretudo da qualidade do fluido introduzido e, segundo o que dissemos, essa qualidade depende da instrução e das qualidades morais do magnetizador; de onde se segue que o magnetizador comum, que agisse maquinalmente para magnetizar pura e simplesmente, produziria pouco ou nenhum efeito; é de toda necessidade um magnetizador Espírita, que age com conhecimento de causa, com a intenção de produzir, não o sonambulismo ou uma cura orgânica, mas os efeitos que acabamos de descrever.

Além disso, é evidente que uma ação magnética dirigida neste sentido não deixa de ser útil nos casos de obsessão ordinária, porque então, se o magnetizador for secundado pela vontade do obsedado, o Espírito será combatido por dois adversários, em vez de por um só.

Frequentemente a criatura obsedada é seu próprio obsessor

É preciso dizer, também, que se culpa frequentemente os Espíritos estranhos por maldades das quais não são responsáveis; certos estados doentios e certas aberrações que se atribuem a uma causa oculta, às vezes deve-se simplesmente ao próprio indivíduo.

As contrariedades, que o mais comumente concentram-se em si mesmo, os desgostos amorosos sobretudo, fizeram cometer muitos atos excêntricos que seriam erradamente levados à conta da obsessão.

Frequentemente a criatura é seu próprio obsessor.

Acrescentamos, enfim, que certas obsessões tenazes, sobretudo nas pessoas de mérito, algumas vezes, fazem partes das provas às quais estão submetidas.

“Ocorre mesmo, algumas vezes, que a obsessão, quando simples, seja uma tarefa imposta ao obsedado, que deve trabalhar para melhorar o obsessor, como um pai à de um filho vicioso.”

Fonte: Revista Espírita – Dezembro de 1862

One thought on “Como evitar a Obsessão – Segundo Kardec

  • 11 de abril de 2021 em 04:55
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    Muito intressante este artigo

    Gostei muito

    Obrigado

    Carl Strandin

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